6.8.12

A Elegância do Ouriço

Só pelo título do livro já dá para se ter uma ideia de que se trata de uma leitura diferenciada.

A Elegância do Ouriço, de Muriel Barbey, é mais um livro que entrou para os meus favoritos!

No início, eu estava achando meio chatinho... Mas, após alguns capítulos, a leitura se tornou viciante!

A história é narrada por duas personagens diferentes e inusitadas: Renée Michel e Paloma.

Renée Michel é uma senhora de 54 anos, que trabalha como zeladora em um prédio chique de Paris.

Renée é aparentemente uma típica zeladora... Baixinha, gordinha, ranzinza e fechada com as pessoas. Ela mora no térreo e é viúva. Divide o seu apartamento apenas com o seu gato Leon.

Até aí tudo bem... Mas o que ninguém imagina é que por trás dessa aparência de uma simples zeladora, há um admiradora das letras e das artes.

Renée é uma amante de livros, principalmente dos clássicos e os dos grandes filósofos.
Ela não resiste a uma bela pintura na parede e se emociona ao visitar o Louvre. O seu romance preferido é o de um escritor russo chamado Liev Tolstói, o seu filme preferido é japonês, As Irmãs Munakata, e a sua flor preferida é a camélia.

Por trás de uma zeladora, de aparência rude e solitária, existe uma mulher de grande requinte. Como diz Paloma, ela possui a elegância do ouriço:

Por fora é crivada de espinhos, uma verdadeira fortaleza, mas tenho a intuição de que dentro é tão simplesmente requintada quanto aos ouriços, que são uns bichinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes. Frase dita pela personagem Paloma

Renée possui apenas uma amiga que se chama Manuela.

Manuela trabalha como faxineira em um dos apartamentos chiques do prédio e todas as tardes toma chá com Renée para contar as novidades do dia.
Ao contrário de Reneé, Manuela não possui requinte algum, mas tem um coração de ouro e uma alegria contagiante!

Paralelamente aos capítulos narrados por Reneé, temos os capítulos narrados por Paloma.

Paloma é uma menina de 12 anos que planeja se suicidar em seu aniversário e colocar fogo no apartamento em que mora. O.O

Paloma, assim como Renée, não é o que parece... Por trás da aparência de uma simples pré-adolescente em crise existencial, existe uma grande pensadora.

Ela questiona a todo o momento os motivos pelos quais valem a pena nos mantermos vivos e isso nos remete à reflexão durante a leitura. Além disso, também é uma amante das letras:

Ai dos pobres de espírito, que não conhecem o transe nem a beleza da língua. Paloma

Paloma mora em um dos apartamentos do prédio com a sua família. Mora com sua mãe, que é uma pessoa problemática, dependente de antidepressivos, sua irmã que estuda filosofia e é neurótica por limpeza e o seu pai que costuma manter-se neutro diante as confusões familiares. Paloma o rotula como covarde.

As passagens em que vivenciamos o cotidiano de Paloma são divertidas, pois a família dela é bem doidinha...

Também me diverti com Renée e com suas tiradas irônicas lotadas de inteligência.

No decorrer da trama, vamos conhecendo todos os moradores do prédio e eles são peculiares.

É impossível você não se identificar com nenhum dos personagens durante a história, pois todos são singulares e muito bem trabalhados.

Eu simplesmente me apaixonei por Renée, me identifiquei bastante com o seu jeito de pensar:

Há sempre a via da facilidade, embora eu repugne tomá-la. Não tenho filhos, não assisto televisão, não acredito em Deus, e são esses todos os sendeiros que os homens pegam para que a vida lhes seja mais fácil. Os filhos ajudam a diferir a dolorosa tarefa de enfrentar a si mesmo, e depois os netos que se virem. A televisão distrai da extenuante necessidade de construir projetos com base no nada de nossas existências frívolas; embaindo os olhos, ela livra o espírito da grande obra do destino. Deus, enfim, acalma nossos temores de mamíferos e a insuportável perspectiva de que nossos prazeres um dia chegam ao fim. Assim, sem futuro nem descendência, sem pixels para embrutecer a cósmica consciência do absurdo, creio poder dizer que não escolhi a vida da facilidade. Renée Michel

A narrativa da autora é muito gostosa! Você não consegue desgrudar do livro enquanto não chega ao fim. E, quando as histórias das duas personagens - Reneé e Paloma - finalmente se cruzam, a obra se torna emocionante.

Os capítulos narrados por Renée parecem poesia, são encantadores!

O fim do livro é comovente, chorei pacas!

Enfim, é uma leitura gostosa demais!
Se você gosta de livros sensíveis e com um teor reflexivo, fica aí a dica!

Vale a pena lembrar que quem curte o Jostein Gaarder, também vai gostar bastante dessa autora!

Não vejo a hora de poder ler a sua outra obra: A Morte do Gourmet.

Então, é isso. Se você é uma pessoa admiradora das letras, das artes e da filosofia, precisa ler esse livro urgente!! Mas, um detalhe importante, esse é um livro para pessoas de requinte. :p


Foto: camélia

"A Arte dá forma e torna visíveis nossas emoções, e, ao fazê-lo, opõe o selo da eternidade presente em todas as obras que, por uma forma particular, sabem encarnar a universalidade dos afetos humanos." Renée Michel

Avaliação:


Skoob:

Sinopse:

À primeira vista, não se nota grande movimento no número 7 da Rue de Grenelle: o endereço é chique, e os moradores são gente rica e tradicional. Para ingressar no prédio e poder conhecer seus personagens, com suas manias e segredos, será preciso infiltrar um agente ou uma agente ou — por que não? — duas agentes. É justamente o que faz Muriel Barbery em A "Elegância do Ouriço", seu segundo romance. Para começar, dando voz a Renée, que parece ser a zeladora por excelência: baixota, ranzinza e sempre pronta a bater a porta na cara de alguém. Na verdade, uma observadora refinada, ora terna, ora ácida, e um personagem complexo, que apaga as pegadas para que ninguém adivinhe o que guarda na toca: um amor extremado às letras e às artes, sem as nódoas de classe e de esnobismo que mancham o perfil dos seus muitos patrões.

12 comentários:

  1. Oi amiga, nem acredito que você leu esse livro! Foi uma supresa! Adorei sua resenha e só serviu pra eu matar a saudade dele. Este livro possui abordagens filosóficas profundas e leva o leitor ao delírio, sem imposição. Perfeito! É um culto à amizade! Li este livro em uma viagem que fiz de trem que duraria 16 horas sem parar, ai eu o li todo de uma sentada só, kkk Acho até que fiquei envenenada por ele, kkk e o marido ficou louco, pois passou toda a viagem sem companhia. Além de outros estilos literários, tenho uma atração especial pelos dramas, sejam românticos ou filosóficos.
    Beijos

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  2. Ahhhh...esse está entre os melhores que li este ano. Também apreciei muito as ironias e pérolas filosóficas. Perfeito!

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  3. Olá! Nossa, adorei ler a resenha e conhecer esse livro, parece perfeito! Leitura reflexiva e intensa... quero muito ler! *.*

    abraços,
    Luciana
    http://folhasdesonhos.blogspot.com

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  4. Uau que texto intenso!!
    Simplesmente preciso ler, rsrs.
    Amo personagens complexos e reais. Leituras fantásticas não me atraem.
    Bjoo.

    Nome de seguidora: Gladys Freitas.

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    1. Então acho que você vai adorar esse livro Gladys!
      É maravilhoso! Super sensível! :)

      Beijos!

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  5. Opa!! Jostein Gaarder? Agora quero ler esse livro, um dos meus livros favoritos é desse autor (O Dia do Coringa).
    Mais um pra lista.
    Beijos

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  6. Nao sei se gosto mais do livro ou desse gato lindo da foto.
    Vou procurar para ler. Bjs

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  7. Não conhecia esse livro mas a história parece mesmo prender a atenção. Uma história diferente, interessante. :)

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  8. Fiquei muito curioso para ler esse livro. Vou comprar ou vou atrás de uma biblioteca. kkkk
    A resenha ficou ótima e a foto também.

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  9. Oi Angélica, adoro as resenhas que você escreve exatamente por trazer livros tão diferentes e originais. Eu adiciono vários deles aos meus desejados ;x
    E esse é mais um deles, parece ótimo, o enredo é contagiante só de ver o que você cita. Espero ter oportunidade.

    Beijos

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  10. Parece ser bem interessante mesmo, curti!
    Os personagens se mostram bem elaborados e o livro parece conter uma mensagem toda filosófica embutida na história, bem legal!
    E eu gosto do Jostein Gaarder, então já é um ponto a mais hehe
    Beijão!

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  11. Uma personagem que é apoixonada por livros, se emocionou no Louvre e mora em Paris... não precisa mais nada, já me convenceu a ler ;)

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